Existe a “solidão da mulher negra”? Uma aproximação a partir da PESB.

Um dos assuntos que mais tem me chamado a atenção nas redes sociais nos últimos meses são os constantes ataques a perfis de homens negros “bem sucedidos” que namoram mulheres brancas (ou mesmo orientais) e são acusados de “palmitagem” (um termo de certa forma racista, por chamar mulheres brancas de “palmito”, que indicaria que homens negros bem sucedidos procuram mulheres brancas para “exibi-las” como um “troféu” resultante de sua acensão social). Além da acusação de “palmitagem”, esses homens negros também são acusados de “causarem a solidão da mulher negra”, ao preferirem ficar com brancas, uma acusação que tem sido recorrente entre a militância do movimento negro feminino virtual. Exemplos podem ser encontrados aqui, aqui e aqui.

Bem, isso passou a motivar minha curiosidade de verificar se este suposto fenômeno pode ser capturado pela via estatística, através de grandes levantamentos de dados. Uma alternativa óbvia seria a PNAD, que é uma amostra bem ampla da população brasileira. Quem já trabalhou com ela, sabe o quanto ela pode ser útil, mas o quanto é trabalhoso extrair os microdados, necessários para esse tipo de análise, pois eles são disponibilizados pelo IBGE em formato .txt e rodá-los em um software estatístico como R, SPSS, ou mesmo Excel, envolve bastante trabalho. Assim, eu preferi escolher um banco com o qual já tenho bastante afinidade, o da Pesquisa Social Brasileira de 2002, que possui uma amostra bastante significativa da população brasileira de então. Esses dados foram utilizados para embasar, entre outras, obras como A Cabeça do Brasileiro.

Bem, inicialmente, eu construí uma variável sobre a “solidão”, dicotomizando o estado civil dos indivíduos maiores de 18 anos (a pesquisa entrevistou apenas maiores de idade), colocando solteiros, divorciados, desquitados e separados de um lado e casados, “amancebados”, em união estável e viúvos (acredito que faça mais sentido colocá-los aqui, pois, teoricamente eles já foram casados e seu estado atual de “solidão” não depende de uma separação, mas da contingência da morte) de outro. Cruzando essa variável sobre a solidão com a cor dos entrevistados e seu gênero temos o seguinte resultado.

solidão

N = 2335, Significância do quiquadrado – homens: 0,895 – mulheres: 0,034.

Uma primeira associação que chama a atenção é que mulheres de todas as raças tendem a ser mais “solitárias” do que os homens do ponto de vista “conjugal”. Se as diferenças entre homens brancos e negros não são significativas, mulheres negras tendem a ser mais de 10 pontos percentuais “solitárias” do que mulheres brancas e pardas.

Relações causais, porém, não podem ser derivadas de simples correlações, mulheres negras (“pretas” na classificação oficial) podem ser mais “solitárias” do que mulheres brancas e pardas por uma série de outras variáveis ocultas (escolaridade, renda, idade, local de moradia, etc.) que estão superestimando o efeito da raça (por exemplo, ao cruzarmos o tamanho da circunferência da barriga entre homens com o grau de queda de seus cabelos, provavelmente, teremos uma associação significativa, o que pode levar pessoas apressadas a concluírem que a gordura está causando a calvície, ou vice-versa, quando, na verdade, o aumento do peso e a queda dos cabelos estão, ambas, sendo causadas por uma terceira variável, oculta, não incluída na associação, a idade).

Uma das formas de lidar com isso, é através da análise de regressão, neste caso, a regressão logística, que é bastante usado na área da saúde para entender o que pode influenciar o aparecimento de uma doença, por exemplo, “comer tomate diminui em tantos % a chance de ter câncer de próstata”, a diferença é que usei como variável dependente (aquela que queremos explicar), ao invés do aparecimento de uma doença, a “solidão”. Como é um modelo multivariado, é possível controlar os efeitos das variáveis já incluídas na equação (por exemplo, negras podem ser mais solitárias não pelo fato de serem negras, mas pelo fato de serem pobres). Como variáveis independentes (que buscam explicar o efeito da variável dependente), utilizei gênero, cor ou raça, idade, renda mensal individual, região do país de residência e anos de escolaridade. O resultado está resumido abaixo:

solidão

Efeitos estatisticamente significativos em vermelho. Categorias de referência nas variáveis politômicas categóricas: mais de 20 SM (renda mensal individual), norte (região do país), branco (raça). Significância Wald: 0,000. Pseudo R² (Negelkerke): 0,178.

Além de incluir os efeitos isolados da raça e do sexo, criei uma variável sobre a interação de ser mulher e negra, pressupondo que a opressão de ser mulher negra não se reduz às opressões de gênero e de raça, mas tem algum componente a mais, relacionado ao fato de ser mulher E negra ao mesmo tempo.

Nota-se, porém, que o efeito da cor ou raça não é estatisticamente significativo em nenhum dos casos. O que parece melhor explicar a “solidão” são outras variáveis:

  1. ser mulher: mulheres, independentemente da cor, tendem a ser mais “solitárias” do que homens. O aumento da chance é de 27%.
  2. Morar no sudeste: moradores do sudeste têm 67% mais chances de “sofrerem de solidão” do que moradores do norte. Eu imagino que tal fato está relacionado com a vida urbana mais desenvolvida do Sudeste, onde não pesam tantas pressões sobre os indivíduos para a constituição de uma família como no interior do Brasil.
  3. A idade: cada ano a mais de vida diminui as chances de solidão em cerca de 4%. Isso é meio óbvio, a cada ano que passa, aumentam as chances de encontrar a “metade da laranja”.
  4. A escolaridade: cada ano a mais de estudo aumenta em cerca de 10% as chances de ser “solitário”. Isso pode ser resultado do fato de que, com o aumento da escolaridade, obrigações acadêmicas e profissionais podem levar à postergação dos anseios em se constituir família.
  5. Apesar de a renda não se mostrar significativa do ponto de vista estatístico (com exceção da categoria “até 1 SM”), uma relação quase exponencial existe entre a renda individual e as “chances de solidão” (com exceção da categoria “sem renda”, onde o efeito não é tão acentuado). Quanto menor a renda, maiores as chances de “sofrer de solidão”, o que indica que homens e mulheres com alta renda tendem a ser mais valorizados no mercado matrimonial, independentemente de sua cor ou raça.

Ou seja, mesmo com uma amostra robusta, não foi possível estabelecer nenhuma relação de causalidade entre cor ou raça e a “solidão” no “mercado matrimonial”. Outras variáveis, que não a cor ou raça, parecem explicar muito melhor os casos de “solidão”, ao contrário do que pregam algumas das blogueiras citadas no começo desta postagem.

21 respostas em “Existe a “solidão da mulher negra”? Uma aproximação a partir da PESB.

  1. Bateram umas dúvidas aqui:
    1) No primeiro gráfico me parece que, em linhas gerais, a mulher negra é efetivamente mais solitária, algo em torno dos 10% em relação às demais.
    2) Dito isso, eu que não sou das exatas, não consegui entender como você conseguiu pegar essa diferença (grande) e chegar À conclusão de que não influencia no final, de que as mulheres negras sofrem mais da “solidão”.
    3) Pelo que entendi, mulheres do sudeste e pobres tendem a ser mais solitárias e a maioria delas é negra. Isso não comprovaria a solidão da mulher negra?

    • Boa tarde, Rapahel.
      Eu também não sou “de exatas”, mas a ideia é a seguinte: correlação não é causação. Por exemplo, negros são a maioria dos criminosos no Brasil, mas você não pode afirmar que é o fato de ser negro que causa a criminalidade. Se você compara negros pobres com brancos pobres, verá que estes são tão propensos quanto os negros pobres a serem violentos, e a primeira relação se dá apenas por que há mais negros entre os pobres. Logo, o que “causa” a violência é a pobreza, não a raça. Basicamente, esta é a ideia.

      • Também não sou de exatas (nem de humanas), mas pensando bem, me parece interessante pensar na hipótese de que na verdade os mais criminosos são os brancos ricos, porque há impunidade para eles, em especial para a classe empresarial e política. Então eles devem se sentir mais tentados a cometer ilegalidades (sonegação fiscal, peculato etc), já que ninguém tem a coragem de punir.

      • Sim, é o paradoxo do “crime de colarinho branco”, ou seja, crimes cometidos por indivíduos de classe média e alta – pelo menos os crimes típicos destas classes – não são vistos, nem pela população, nem pelo sistema de justiça, como verdadeiros crimes. Existem vários estudos sobre isso.

  2. Ai, cara, superinteressante esse estudo estatístico seu. Mas você já parou para pensar que mulheres negras com baixa escolaridade são “valorizadas” porque a sociedade é machista? E mulheres negras com melhor condição financeira são “valorizadas” porque a sociedade é machista, racista e materialista? E que todas as outras variáveis como idade, renda e escolaridade são influenciadas pelo racismo e pelo machismo?

    • é possível… mas note que homens menos escolarizados também tendem a ser mais “valorizados”, pelo menos quando a renda é constante. Pelo jeito, entre um rico “nerd” e um rico “brucutu”, o brucutu tende a ser preferido, hehe

  3. Sinceramente, bem confusa a apresentação de dados, se você não faz uma correlação, faz o que!? Atento também ao número de entrevistadas (N=23xx) que é muito pouco pra um país com 200MI de habitantes, sem falar que os dados são de 2002. Outra época, outra geração…

    • sim, é um banco de dados relativamente antigo… mas é de se imaginar que na década passada o racismo era mais “forte” do que hoje, não? E a amostra é muito boa, 2335 casos na amostra permitem generalizar para a população brasileira com uma margem de erro de apenas 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, no nível de confiança de 95%.

  4. Em resumo: Existe a solidão da mulher negra, no entanto, ela não parece ser motivada por preterimento sistemático ao grupo “mulher negra”, mas a um conjunto de fatores, certo?
    Fiz um estudo considerando dados do Censo 2010 e encontrei resultados semelhantes. Um dado interessante que encontrei é que se considerarmos só os solteiros e solitários, ou seja, aqueles que nunca estiveram em uma união, os homens negros são maioria. Nos seus dados também foi assim?

    • Boa noite, Hugo, quanto ao primeiro parágrafo, imagino que seja de fato isto. Bem, eu gostaria muito de ler seu trabalho, mas este foi um estudo bem exploratório e inicial motivado por uma curiosidade minha. Eu teria que fazer outros testes e cruzamentos para verificar isso dos solteiros e solitários.

  5. Então, acredito que sua analise peca, em esquecer a questão da simultaneidade, e de probabilidade condicional, o fator renda é influenciado pelo fator cor, o fato de mulheres negras serem mais pobres do que mulheres brancas esta relacionado com a questão de cor delas, esse trabalho, acredito, padece de viés de multicolinearidade entre as variáveis explicativas.

  6. Excelente demonstração de que muitas vezes não se trata de uma questão racial, mas sim uma questão de outros detalhes do indivíduo. Como mencionado por outras pessoas aqui, existem entre os “marginalizados” uma grande quantidade de pessoas negras, o que faz aparentar via estatística bruta que os negros estão em piores condições que outras raças. Mas não são os negros que estão em piores condições, são os pobres, etc…

  7. Da série “…não existe mulher feia, existe mulher pobre…”, com o detalhe de que é mais comum ser pobre se for preta. Claro que estou aceitando que a mulher solitária é feia e não arisca… suposição que parece subjacente ao estudo: as mulheres solitárias são menos desejadas e não mais seletivas.

    Achei interessante e adequado que resolveram chamar exclusivamente as pretas de negras.

  8. Genial, aplique esta metodologia em mais avaliações e derrube outros mitos. Eu sou de exatas, Mas o fenômeno que estou vendo é embasado em minhas observações qualitativas. Muitos negros homens com mulheres brancas acontece agora devido ao fim do racismo na cabeça de uma parcela de brasileiras de mente mais aberta. Um fenômeno parcial em que as mulheres não mais rejeitam negros como companheiros. Já o contrário branco-negra era muito mais fácil de acontecer, E claro que ainda acontece, mas é mais difícil por conta do aumento de renda da população negra e principalmente porque a mulher negra aprendeu a se valorizar mais. Está mais difícil catar uma neguinha, que era meu interesse aqui.

    Abç

  9. Olá.
    Eu sou de ciências exatas, física para ser específico.
    E apreciei muito a abordatem desse estudo inicial.
    Gostaria de divulga-lo e aprofunda-lo, estendendo a metodologia a outras questões.

  10. Parabéns pelo trabalho de pesquisa. Meus comentários irão principalmente contra a “tese” que ele depôs contra.

    Uma das coisas que mais me preocupa na sociedade é a incapacidade de muitos indivíduos de se dar conta de imediato quando está diante da impostura intelectual e do embuste argumentativo evidente, como é o caso da alegação de que tal “solidão da mulher negra”, assumindo que ela exista, possa ser explicada mediante atitudes intencionais dos homens, em especial a tal “palmitagem”, um fenômeno tal numericamente insignificante que praticamente pode ser resumido ao casos de um poucos homens negros ricos e ou famosos.

    Nesse caso, conhecimentos primários sobre a realidade já são capazes de no mínimo apontar hipóteses explicativas muitíssimo mais promissoras do que sacar uma acusação de “racismo / machismo”, como o simples fato de mulheres viverem mais do que homens, sendo maioria populacional em praticamente todas as faixas etárias adultas, diferença que vai aumentando progressivamente com a idade. E sendo a mortalidade de homens negros a mais expressiva no recorte gênero / raça, já deveria ser suficiente para indicar a direção certa da investigação.

    Além da mortalidade temos o encarceramento, o desemprego, subemprego e pobreza em geral, também sobre representados entre os homens negros. Mas, diante de todas essas obviedades exista quem queira ignorá-las e de imediato atribuir tal fenômeno à uma forma direta de racismo?!

    Claro que existe. Para isso serve Feminismo, que não importa sobre qual fenômeno se debruce, verá SEMPRE a mulher como vítima de ações intencionais dos homens. E é sua especialidade distorcer ao máximo a realidade afim de impossibilitar em seus seguidores perceberem qualquer coisa que não seja uma forma de “opressão da sociedade patriarcal”.

    Ademais, como sempre, outra dimensão massiva da realidade que transcende por completo até mesmo os horizontes culturais é a muito maior seletividade feminina, que faz com que muitas mulheres recusem sistematicamente as pretensões masculinas. Num mundo onde um gênero se encarrega de mais de 90% do esforço da conquista e da sedução, e onde para cada mulher jovem dispensada por um homem temos no mínimo 10 vezes mais no sentido oposto, deveria ser evidente que a tal “solidão da mulher negra” seja em grande parte resultante de escolhas pessoas individuais das mulheres, que podem muito bem preferir estar sozinhas.

    Dito de forma simplista, em geral, homens ficam solitários por não conseguirem conquistar parceiras, e mulheres ficam solitárias por dispensarem pretendentes. É a Hipergamia feminina em ação, que fará com que muitas mulheres jovens pobres dispensem abordagens de homens de seu extrato sócio econômico, e como os extratos superiores são evidentemente menores, simplesmente não há como absorver toda essa “disponibilidade”.

    Enfim, a mera formação de relacionamentos estáveis já é menos frequente nos extratos mais pobres, só que na realidade os graus de solidão não voluntária seguramente afetam muito mais os homens que as mulheres. Isso só não é mais evidente, mais uma vez, devido ao fato de serem menos numerosos especialmente quando considerados somente os em boas condições sociais de contrair um relacionamento estável. Afinal, dificilmente o homem desempregado e pobre tem condições de manter um relacionamento, visto em geral ter o papel de provedor, ao passo que isso dificilmente é um problema para a mulher.

    • Marcus, tem uma questão aí. A “solidão da mulher negra” pode até ser uma mito. Mas não é, a priori, uma ideia absurda.

      O que eu quero dizer é que a militância identificou (acertadamente) que a mulher negra é, em geral, mais solitária do que a branca. Porém não levou em conta que outros fatores que não a cor podem ser os responsáveis por isso.

      Ou seja, não “distorceram a realidade” deliberadamente, apenas não foram capazes de entendê-la – o que é bem menos grave.

  11. A QUESTÃO É: OS HOMENS NO BRASIL ESTÃO MORRENDO DIRETA/INDIRETAMENTE PELA CRIMINALIDADE, EU FUI BUSCAR MEU PRÍNCIPE FORA DAQUI, LOGO,´FORA DO BRASIL TÊM MUITOS HOMENS SOLTEIROS E SOLITÁRIOS EM BUSCA DE VCS MULHERES NEGRAS:

    Os sites: DATANTA, LATINEURO, PARPERFEITO, BE2….AFROINTRODUCTIONS.COM

  12. MULHERES NEGRAS, se vocês se sentem sozinhas, acreditem que há muitos homens que se sentem sós também, por que não tentam os sites de relacionamentos/casamentos, inclusive os INTERNACIONAIS, no Brasil perdemos a cada semestre e em cada Estado uns 800 homens diretamente e indiretamente para a criminalidade, portanto estamos com uma diferença gritante com relação HOMEM x MULHER, mas há muitos países, como: ÍNDIA, CHINA, ÁFRICA, que o número de HOMENS está extremamente ALTO com relação às mulheres. Afiliem-se à estes sites, busquem namorados, NÃO FIQUEM SÓS OU CRITICANDO OUTRÉM QUE JÁ ESTÁ COMPROMETIDO. BUSQUEM VOSSAS FELICIDADES.
    Os sites: DATANTA, LATINEURO, PARPERFEITO, BE2….AFROINTRODUCTIONS.COM

  13. Pingback: Uma análise do que disseram os deputados sobre o Impeachment |

  14. Bem, eu sou de exatas. E, se numa pesquisa qualquer, os resultados não correspondem as proporções existentes dentro de uma população, é porque há algo interferindo. Seria como lançar 600 vezes um dado de seis faces. Cada resultado possível (1,2,3,4,5 e 6) deve acontecer cerca de 100 vezes. Quanto maior o número de lançamentos (podemos chamar de n), mais esse resultado se aproximará de n/6. Se isso não ocorre, é bem provável que o dado esteja viciado. Por isso podemos afirmar que a sociedade brasileira é racista. Se não fosse racista, as proporções de brancos e negros, sejam entre médicos, engenheiros, detentos, sub-empregados, doutorandos ou garis deveriam seguir as mesmas proporções de brancos e negros dentro da população total.

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