Direita, esquerda e nazismo

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É difícil achar uma régua universal para definir o que é direta e o que é esquerda, mas é possível estabelecer alguns critérios, e nenhum associa esquerda ao nazismo.

Todo mundo sabe que os termos direita e esquerda surgiram no século XVIII, na esteira da revolução francesa. A primeira esquerda surgiu do pensamento iluminista e liberal clássico. Só bem depois surgiu uma esquerda muito mais vinculada ao marxismo do que ao liberalismo clássico, especialmente a manifestação continental do liberalismo.

O pensamento de direita não surgiu como um corpo de ideias próprias, mas especialmente como uma reação à esquerda nascente e à Revolução Francesa. Na Inglaterra, levou ao conservadorismo secular de Burke, no continente deu no conservadorismo tradicionalista de Maistre. Muito, mas muito tempo depois foi surgir uma “direita” não vinculada de alguma forma ao conservadorismo social, com os pensadores liberais econômicos do século XX.

Depois da esquerda liberal, tivemos a esquerda marxista, que, de certa forma, eclipsou a primeira. Das três fontes teóricas do marxismo, a economia política inglesa, o socialismo reformista e racionalista francês e a filosofia hegeliana, apenas esta última não pode, imediatamente, ser considerada parte do pensamento iluminista. Então, creio ser possível considerar o marxismo como um dos frutos do Iluminismo, o que mantém algo em comum com a sua precursora, a esquerda liberal.

O Fascismo, que poucas pessoas não consideram um movimento de direita, não deixa de ser um fruto do pensamento conservador continental, especialmente do tradicionalismo radical de Julius Evola. Isso o coloca como um movimento claramente anti-iluminista.

O Nazismo muito se inspirou no Fascismo, bem como na tradição romântica e antimoderna germânica (que apesar das negações revisionistas pós-modernas, tem em Nietzsche um dos maiores representantes) mas há muitas diferenças entre os dois movimentos. Para começar, Mussolini nunca gostou de Hitler, enquanto este idolatrava o primeiro. O Fascismo não foi totalitário, pois dividiu o poder com instituições tradicionais, especialmente a Monarquia e a Igreja. A nobreza e burguesia alemã, pelo contrário, ou foram incorporadas pelo Partido Nazista ou retiradas do poder. O Cristianismo, por seu turno, foi duramente perseguido por Hitler.

Além disso, Hitler adicionou ao Nazismo um componente eugenista e a biologia pseudocientífica que não havia encontrado espaço no fascismo. Por incrível que pareça, o eugenismo, no começo do século XX, estava muito mais ligado a movimentos progressistas, de “aprimoramento humano” do que a movimentos conservadores, afinal, para estes, interferir na natureza humana e nos desígnios divinos era “brincar de Deus”. Esta é, ao contrário dos argumentos mais utilizados (o nome do partido e o “tamanho do estado”) a característica mais “esquerdista” ou “progressista” do Nazismo.

O argumento do nome do partido é péssimo. Socialismo nos anos 1920 não tinha muito a ver com o que entendemos como socialismo hoje em dia. Desde o século XIX, socialista era todo aquele que se opunha ao individualismo moderno. Havia movimentos socialistas “de esquerda”, marxistas, e “de direita”, tradicionalistas.

Os partidos de esquerda, normalmente, ou eram “trabalhistas” (como o inglês) ou social-democratas (como o partido alemão ou mesmo o partido bolchevique, que tinha esse nome oficial), embora houvesse também “socialistas”, como o francês. Por associação, passamos a entender social-democracia como a ideologia reformista de esquerda do partido alemão com o mesmo nome, enquanto o partido russo, após a Revolução de 17, mudou o nome para Partido Comunista, para se diferenciar do balaio “socialista” e dos seus homônimos reformistas alemães. Graças a isso, o nome “comunismo” passou a ser associado com o sistema implantado na URSS.

O argumento do papel do Estado na economia é pior ainda. Economia liberalizada só passou a ser associada, irrevogavelmente, à direita após os governos de Thatcher e Reagan e as obras teóricas da Escola Austríaca e de Chicago na segunda metade do Século XX. No final do século XIX e começo do século XX, por exemplo, o livre comércio era uma bandeira encampada pelos movimentos trabalhistas de esquerda, pois garantia produtos baratos aos trabalhadores.

Enquanto isso, os conservadores, geralmente vinculados às classes agrárias, eram protecionistas. E, mais ainda, entre os anos 1930 e 1970, a intervenção estatal na economia passou a fazer parte de todo o espectro político mainstream. Quando pensamos nos partidos de direita tradicional dessa época, todos eles advogavam alguma espécie de intervencionismo econômico, seja o Partido Republicano dos EUA, os gaullistas franceses ou os conservadores britânicos. A própria Margaret Thatcher, ex-primeira ministra britânica, não venceu em 1979 com uma plataforma liberalizante, plataforma que ela só viria a desenvolver durante o governo.

É difícil achar uma régua universal para definir o que é direta e o que é esquerda, mas, acredito, que a definição de Bobbio, ancorada na igualdade, ainda é o melhor parâmetro. Segundo essa definição, a esquerda se caracterizou pela defesa de alguma forma de igualdade, enquanto a direita, de alguma forma reagiria a isso.

Parece-me uma régua bastante coerente, pois coloca o liberalismo clássico, com a sua defesa da igualdade jurídica, como a primeira esquerda, o que, de fato, foi. Da mesma forma, quando aplicamos essa régua ao nazismo, com a sua defesa da desigualdade inata e irredutível e mesmo extermínio dos “inferiores”, é impossível colocá-lo na esquerda.

Dizer que o Nazismo era de direita, ou, pelo menos, não era de esquerda, não significa dizer que ele não leva a um resultado muito semelhante ao da esquerda marxista: o Totalitarismo.

Talvez, as semelhanças entre nazismo e stalinismo ajudam a explicar a confusão classificatória. As origens teóricas e pressupostos de ambos os movimentos são totalmente opostos, mas o resultado acaba sendo bastante semelhante. Provavelmente, pois ambos os movimentos negam a humanidade de consideráveis parcelas do gênero humano (sejam burgueses ou judeus, kulaks ou pessoas com deficiência, “contrarrevolucionários” ou democratas).

 

Originalmente publicado em agosto de 2017 em http://ano-zero.com/o-que-e-direita-esquerda/

A Escolha do Gabinete de Michel Temer foi Machista?

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Gabinete do primeiro ministro canadense, Justin Trudeau, com composição de gênero igualitária.

A escolha, pelo presidente interino Michel Temer,  de um ministério composto apenas por homens suscitou uma série de questionamentos sobre um possível caráter “machista” ou “patriarcal” de seu governo. Levando em conta que mulheres são 50,6% da população brasileira (e também são maioria dos graduados no ensino superior, antes que se levantem argumentos sobre uma menor capacitação), fica realmente estranho um gabinete composto por 100% de homens. Ocorre que o gabinete de Dilma também ficava devendo na quantidade de mulheres. Seu primeiro gabinete no segundo mandato, de 2015, tinha apenas 4 mulheres entre 39 ministros, o que corresponde a pouco mais de 10% do total.  Quando comparamos ambos os gabinetes com a composição da população brasileira, notamos que mulheres sempre estiveram sub-representadas, embora, obviamente, ter algumas mulheres sempre pode ser visto como melhor do que não ter nenhuma.

Talvez o problema não esteja na escolha dos gabinetes em si, mas na baixa representação de mulheres na política brasileira. Na Câmara dos Deputados, há apenas 45 mulheres, o que corresponde a menos de 9% do total.  Quando consideramos Câmara e Senado, a proporção é levemente maior, mas não passa de 10% do total. Esse valor é realmente tão baixo? Qual é a proporção em outros países? Bem, vejamos o seguinte gráfico elaborado com dados do Banco Mundial:

probabilidade população

Proporção de Mulheres nos Parlamentos – Brasil e Regiões Selecionadas (Banco Mundial)

Na imagem acima é possível verificar que a proporção de mulheres no Parlamento Brasileiro se manteve praticamente estagnada nos últimos anos e muito abaixo da média mundial (atualmente em 22,9%). Também estamos bem abaixo da média de nossos vizinhos latino-americanos (27,9%) e da União Europeia (28,4%). O que é incrível, porém, é que perdermos de lavada para os países do Mundo Árabe (18,8%, um número que tem crescido desde a eclosão dos movimentos que ficaram condensados sob o rótulo de Primavera Árabe), amplamente conhecidos pela privação de direitos a que são submetidas as mulheres que lá vivem.

Levando em conta que os membros dos ministérios, normalmente, vêm do Parlamento, ou são indicados pelos partidos que dominam o Parlamento, é de se imaginar que a falta de mulheres no gabinete seja um reflexo da sua baixa representação na política de modo geral. Agora, mesmo levando em conta esta baixa representatividade, há mulheres no parlamento, enquanto no gabinete de Temer não há nenhuma. Qual é a probabilidade dessa diferença se dever ao machismo ou ser, de fato, aleatória, como defendem os apoiadores do governo?

Para responder a esta questão, vamos tentar nos valer da Estatística Inferencial. Existe um cálculo estatístico bastante simples chamado de teste do qui-quadrado.  Este teste é representado pela seguinte fórmula:

x² = ∑ [(o -e)²/e]

Não é necessário decorá-la, mas o teste, basicamente compara os valores que são observados na realidade com os valores esperados, que apareceriam, em um mundo ideal, caso não houvesse relação entre as variáveis – no caso gênero e presença no ministério e nos entrega uma probabilidade de a relação entre as variáveis ser aleatória ou não. Como chegamos a este número ideal? Bem, aqui temos a distribuição por gênero no ministério de Temer e na Câmara dos Deputados conforme foram observadas no primeiro dia de seu governo interino:

observado - temer

Para chegar ao valor esperado, basta dividir o total de cada categoria na coluna pelo total geral e, depois, em cada célula, usar o valor resultante e multiplicar pelo respectivo total de cada linha. Após este cálculo chegamos ao seguinte quadro:

esperado - temer

Se nossa hipótese de que o número de mulheres nos ministérios tem alguma relação com o número de mulheres no Parlamento, era de se esperar que houvesse ao menos duas mulheres na composição do gabinete de Temer, mas não é isso que ocorre. Bem, mas probabilidades são sempre gerais. Se você jogar uma moeda para cima 10 vezes, é de se esperar que haja várias vezes em que o resultado não seja meio a meio – às vezes vamos ter 6 caras e 4 coroas, outras 3 caras e 7 coroas. Essas variações são perfeitamente normais. Agora, se em 50 tentativas, uma moeda der coroa 45 vezes, temos um forte indício de que se trata de uma moeda viciada. Assim, aplicando a fórmula do qui-quadrado podemos identificar a probabilidade de essa diferença entre nenhuma mulher observada e duas mulheres esperadas é aleatória ou não.

Depois de feito o cálculo chegamos a um valor do quiquadrado de 2,251. Ele, por si só, não quer dizer nada, mas os estatísticos, há décadas, calcularam as probabilidades associadas a cada valor de quiquadrados para diferentes tamanhos de tabelas (no nosso caso uma tabela 2 x 2, ou com 1 grau de liberdade, na linguagem estatística). Esses cálculos estão amplamente disponíveis e existem mesmo sites que calculam a probabilidade (também chamada de valor p) associada a cada valor de quiquadrado. Bem, a partir do nosso valor, chegamos a uma probabilidade de apenas 13% de que a falta de mulheres no ministério de Temer seja aleatória. Ou seja, podemos afirmar que há uma probabilidade de 87% que o tenha havido, de fato, uma discriminação por gênero na escolha do Gabinete. Cabe lembrar, que, em estatística, se costuma dizer que um resultado é significativo apenas quando temos mais de 95% de probabilidade em uma relação, mas levando em conta que houve a presença de mulheres em todos os gabinetes ministeriais desde o final da Ditadura Militar, um valor de tal ordem pode ser intrigante.

Quando aplicamos a formula à Dilma, chegamos aos seguinte resultado: há uma probabilidade de 23% de favorecimento de Dilma às mulheres na composição de seu gabinete (levando, obviamente, em conta a composição do Parlamento), visto que a proporção de mulheres no primeiro gabinete do segundo mandato de Dilma era levemente superior àquela encontrada no parlamento:

probabilidade parlamento

Um resultado interessante e ilustrativo é quando fazemos o mesmo cálculo para Dilma e Temer levando em conta a proporção de homens e mulheres na população em geral. O resultado é o seguinte:

probabilidade população.png

Ou seja, apesar de que, quando levamos em conta a representatividade de gênero no Parlamento, Dilma se sai muito melhor do que Temer, quando levamos em conta a divisão mais equânime de gênero que ocorre na população em geral, o resultado é o mesmo para ambos os governos. As 4 mulheres entre 39 ministros de Dilma não a colocaram em melhor posição neste quesito.

Assim, cabe colocarmos maior evidência na baixa representatividade de mulheres na política brasileira, uma das maiores vergonhas nacionais.Quando passarmos de nossos vergonhosos 9% para uma proporção mais próxima daquelas das democracias avançadas, um gabinete ministerial composto apenas por homens nos soará como um anacronismo tão grande quanto a restrição ao direito de voto feminino, abolida, em nosso país, em 1932.

 

 

 

“Não sei, sou de humanas”: cursos universitários e grupos ideológicos

Um dos grandes motivos de discussões acaloradas no Facebook, juntamente com as discussões entre “coxinhas” e “petralhas”, “biscoito” e “bolacha” é a briga entre “humanas” (a categoria nativa parece incluir apenas o “núcleo duro” das humanas, além de algumas sociais aplicadas, como jornalismo e, por vezes, direito) e “exatas” (qualquer curso que tenha cálculo, mesmo que seja, epistemologicamente, tão de “humanas”, quanto os cursos dos CFHs da vida, como administração e economia). Na minha universidade, a UFRGS, um dos momentos do ano onde essas rivalidades extrapolam o Facebook e chegam aos corredores é a anual eleição do diretório central dos estudantes (DCE). Há cerca de 10 anos, o DCE da UFRGS é disputado por grupos ligados ao direitista PP e ao esquerdista PSOL, sendo que, na maioria dos anos, o PSOL vence, embora tenham ocorrido algumas vitórias da chapa do PP, como em 2009 e 2013. Cabe mencionar também que as eleições são marcadas por acontecimentos dignos da República Velha, como corredores poloneses em torno das urnas, militantes armados com bastões, roubos de urnas e de atas, dentre outras incivilidades. Não por acaso, as eleições também são chamadas de “gincanas” eleitorais e a imensa maioria dos estudantes, por vezes, quase 90%, não participa das votações, dado o baixo nível geral das campanhas.

Bem, neste ano concorreram 5 chapas, sendo elas ligadas aos seguintes grupos:

Chapa 1: Partido Comunista Revolucionário (PCR) e PCB.

Chapa 2: Coletivo Barricadas (uma dissidência do PSOL)

Chapa 3: PT e PCdoB

Chapa 4: PP (o deputado estadual gaúcho, Marcel Van Hatten, fez carreira política no movimento estudantil da UFRGS)

Chapa 5: PSOL e PSTU (situação).

A chapa 5 foi reeleita e os resultados podem ser consultados aqui.

Não foi para falar de eleição de DCE, porém, que eu escrevo esta postagem, mas sim para, a partir dos resultados das diferentes chapas nas urnas de cada curso, tentar entender o perfil ideológico da universidade. O tipo de dado resultante dessa eleição, separado por urna de curso, se presta a um tipo de análise chamada “analise fatorial”. A ideia da análise fatorial é reduzir um conjunto de variáveis quantitativas (os votos de cada chapa por urna, por exemplo) em um conjunto menor de variáveis (chamados de “fatores”), seja como um fim em si mesmo (por exemplo, como faremos aqui, entendendo como elas se agrupam) ou então para facilitar seu uso em uma regressão (neste caso, ao invés de termos, digamos, umas 30 variáveis, teríamos só 2 ou 3, o que torna a análise mais fácil e intuitiva).

Essa análise requer uma série de passos e pressupostos que não irei desenvolver aqui, onde me focarei em entender os resultados. Inicialmente, faremos uma análise fatorial utilizando as chapas como variáveis e as urnas como casos, temos as 6 variáveis (as 5 chapas e os votos em branco) agrupados da seguinte forma:

fatores chapas

Votos nulos foram excluídos por questões técnicas (comunalidade)

Notem que um dos fatores criados foi o que eu chamei de “extrema-esquerda”, agrupando as três chapas de extrema (PSOL, Barricadas e PCB), enquanto outro agrupa as chapas do PP e do PT, além dos votos em branco. Achei interessante este resultado, pois demonstra que os estudantes que votam em chapas do PP também podem votar em chapas do PT, e vice-versa, apesar das distâncias ideológicas entre os dois partidos foram da universidade. Por isso resolvi chamar esse fator de “centrão”, para identificar aqueles estudantes interessados em propostas mais “pragmáticas” e menos na “luta” defendida pelas chapas de extrema-esquerda.

De forma gráfica, esses fatores podem ser visualizados da seguinte maneira: chapas1

A primeira coisa que chama a atenção é a enorme proximidade entre as chapas de extrema esquerda, muito maior do que a proximidade entre as chapas do fator “centrão”. Isso indica que elas disputam exatamente os mesmos votos. Inclusive, a chapa do PT está a cerca de um terço do caminho entre as chapas do PP e as chapas de extrema-esquerda. A inclusão dos votos em branco neste fator parece indicar que os estudantes que tendem a votar em branco são também aqueles menos interessados em votar nas eleições do DCE, menos interessados na “luta” e mais em “propostas pragmáticas”, o que parece ser o caso da maioria dos eleitores das chapas do PP e do PT, em menor grau.

Após verificarmos como as chapas se agrupam, vamos entender como isso acontece com os cursos. Neste caso, tomando as chapas como casos e os cursos / urnas como variáveis, chegamos a três fatores:

fatores urnas

Urnas excluídas por questões estatísticas: farmácia (comunalidade), FABICO, Prédio do cálculo/prédio novo do IFCH, Direito e Administração (“estrutura complexa”).

Neste caso, os fatores representaram três agrupamentos ideológicos de cursos:

  1. Cursos que tendem a votar na extrema-esquerda: anexo da saúde (psicologia, comunicação), educação física, fisioterapia e dança, teatro, biologia marinha, matemática, enfermagem, odontologia, física, letras, química, artes e educação, além das “true humanas” (filosofia, ciências sociais e história), claro.
  2. Cursos que tendem a votar na chapa do PP (centrão 1): informática e engenharias.
  3. Cursos que tendem a votar na chapa do PT (centrão 2): primeiros semestres dos cursos da saúde, economia, veterinária e arquitetura.

De forma gráfica, podemos visualizar esses agrupamentos ideológicos da seguinte forma: urnas1

Pelo menos tomando por base esses dados, parece que a separação “ideológica” entre os cursos não segue exatamente a divisão humanas / exatas (mesmo se entendermos essa dicotomia em sua categoria nativa de cursos sem e com cálculo), mas é mais complexa. Apesar de os cursos onde a chapa do PP vença sejam de exatas, a extrema esquerda também vence em vários cursos dessa área, como química e matemática, além de vencer em quase todos os cursos da saúde.